4) Que, “se a prisão tivesse também um eco na parede do fundo” e “quando algum dos transeuntes falasse”, os prisioneiros tomariam o eco pela voz da “sombra que passava” (515b), não custa muito admitir. Mas — e esta já é outra fase da experiência ‘educacional’ —, se um dos prisioneiros fosse libertado e lhe mostrassem os objectos e pessoas reais que causavam as sombras dele bem conhecidas, seria altamente improvável que atribuísse mais realidade às sombras do que aos objectos e pessoas que lhe mostravam, contrariamente ao que afirma Sócrates (515c-d).
Paulo Lopes