Imagine — como um exercício indulgente e extravagante do
raciocínio hipotético — que foi submetido, por um cientista genial e perverso,
à seguinte operação: o seu cérebro foi retirado do seu crânio, colocado numa
cuba com nutrientes capazes de o manter vivo e ligado a um supercomputador cujo
programa produz impulsos elétricos que estimulam o seu cérebro do mesmo modo que um
cérebro num corpo é estimulado pela perceção de objetos externos; as suas
experiências, sensitivas ou motoras, seriam qualitativamente indistinguíveis
das experiências que um cérebro num corpo proporcionaria. Assim, seja um
cérebro numa cuba ou não, claro que lhe parece que está a olhar para um texto
num monitor; a única diferença (mas uma diferença abismal, é certo) é que, no
primeiro caso, não existiria nenhum monitor à sua frente.
Um
cenário da mais sombria fantasia? Bem, é o tipo de comentário que o leitor
faria, se fosse um cérebro numa cuba.
Claro
que o leitor não acredita nessa extravagante hipótese. Como poderia fazê-lo, se fosse realmente um cérebro dentro
duma cuba?