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sábado, 10 de setembro de 2011

O Génio Maligno: Hilary Putnam (cérebros numa cuba)


Imagine — como um exercício indulgente e extravagante do raciocínio hipotético — que foi submetido, por um cientista genial e perverso, à seguinte operação: o seu cérebro foi retirado do seu crânio, colocado numa cuba com nutrientes capazes de o manter vivo e ligado a um supercomputador cujo programa produz impulsos elétricos que estimulam o seu cérebro do mesmo modo que um cérebro num corpo é estimulado pela perceção de objetos externos; as suas experiências, sensitivas ou motoras, seriam qualitativamente indistinguíveis das experiências que um cérebro num corpo proporcionaria. Assim, seja um cérebro numa cuba ou não, claro que lhe parece que está a olhar para um texto num monitor; a única diferença (mas uma diferença abismal, é certo) é que, no primeiro caso, não existiria nenhum monitor à sua frente.
Um cenário da mais sombria fantasia? Bem, é o tipo de comentário que o leitor faria, se fosse um cérebro numa cuba.
Claro que o leitor não acredita nessa extravagante hipótese. Como poderia fazê-lo, se fosse realmente um cérebro dentro duma cuba?  

Paulo Lopes