sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
Só mais uma coisa
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
A alegoria da caverna: perplexidades (7)
Paulo Lopes
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
A alegoria da caverna: perplexidades (6)
Paulo Lopes
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
A alegoria da caverna: perplexidades (5)
Paulo Lopes
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
A alegoria da caverna: perplexidades (4)
Paulo Lopes
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
A alegoria da caverna: perplexidades (3)
A alegoria da caverna: perplexidades (2)
A alegoria da caverna: perplexidades (1)

Antecipando uma objecção (acusação de ingenuidade), talvez deva reconhecer que não ignoro a crueldade das experiências de cavernas reais do nosso século: perante os casos de Natascha Kampush (que viveu durante oito anos numa 'caverna' por baixo da casa do seu raptor), Jaycee Dugard (que viveu dezoito anos no quintal do seu sequestrador e que com ele estabeleceu laços emocionais) e Elisabeth Fritzl (que viveu cativa durante vinte e quatro anos, encarcerada pelo próprio pai, de quem teve sete filhos, três dos quais também habitantes da mesma ‘caverna’), talvez seja injusto e excessivo insinuar que Platão tinha uma costela de monstro.
Paulo Lopes
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
A alegoria da caverna: leituras
domingo, 30 de agosto de 2009
A alegoria da caverna

Paulo Lopes
sábado, 4 de abril de 2009
Uma espécie de paradoxo: corvos pretos, coisas não pretas
Embora conhecido por paradoxo dos corvos (ou paradoxo de Hempel), não é verdadeiramente um paradoxo (não gera propriamente uma contradição), mas talvez antes uma perplexidade sobre o sentido das evidências empíricas na confirmação de teorias científicas. Foi a propósito da confirmação de teorias ( 'confirmação' significa aqui "apoio indutivo" mais ou menos forte) que Carl Gustav Hempel (nascido na Alemanha, em 1905, e falecido nos Estados Unidos, em 1997, para onde emigrara em 1939) apresentou este 'paradoxo', em 1943.
sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008
Paradoxo da política portuguesa.
Alexandre Marques
terça-feira, 29 de janeiro de 2008
FERNANDO PESSOA
Miguel Pais
terça-feira, 15 de janeiro de 2008
Alfred Tarski

Em 1924, em colaboração com Banach, provou que uma esfera pode ser cortada num número finito de partes e ser remontada numa esfera de tamanho maior, ou alternativamente, pode ser remontada em duas esferas cada uma do mesmo tamanho da original. Este resultado é chamado de Paradoxo de Banach–Tarski. É considerado um paradoxo por ser um resultado contra-intuitivo. Naturalmente não é possível cortar desta forma uma esfera real, como uma laranja, com uma faca real. Trata-se de uma abstracção matemática.

O "paradoxo" de Banach–Tarski: Uma esfera pode ser decomposta e recomposta em duas esferas cada uma do mesmo tamanho da original.
Algumas obras de Tarski: Logic, Semantics, Metamathematics, Oxford, 1956; Undecidables Theories, Amesterdão, 1953; Cardinal Algebras, Oxford, 1949; Ordinal Algebras, Amesterdão, 1956; Introduction a la Logique, Paris, 1969.
Teresa Mateus
segunda-feira, 14 de janeiro de 2008
A solução clássica de Alfred Tarski.
O cretense Epiménides diz: “todos os cretenses são mentirosos.”
Se disse a verdade, como é cretense, então mentiu e o que disse é falso. Se não disse a verdade, isto é, se mente, então os cretenses não são mentirosos e Epiménides também o não é. Então ao mentir diz a verdade.
Os paradoxos mostram a dificuldade de tentar que uma frase declarativa diga qualquer coisa acerca da sua própria verdade ou falsidade.
Repare nas seguintes afirmações:
Lisboa é a capital de Portugal.
Lisboa é um substantivo.
Em Lisboa desagua o Tejo.
Lisboa tem seis letras.
Quando nos queremos referir à palavra e não à realidade que ela nomeia colocamos o termo entre aspas simples. Assim, para evitar confusões nos exemplos anteriores deveríamos escrever:
‘Lisboa’ é um substantivo.
‘Lisboa’ tem seis letras.
A solução clássica deve-se à utilização do conceito de metalinguagem (apresentado por Alfred Tarski). As frases sobre a realidade (como «o céu é azul») são em linguagem-objecto ou linguagem de nível zero (linguagem objectiva); mas as frases sobre os valores lógicos (verdadeiro ou falso) devem ser feitas em metalinguagem ou linguagem de nível superior.
Assim, a frase «o céu é azul» é em linguagem-objecto, mas a frase «'o céu é azul' é verdadeira» é feita em metalinguagem ou linguagem de nível um. Se pretendermos falar do valor de verdade desta última frase, teremos que utilizar uma linguagem de nível superior. No exemplo seguinte,
1. As maçãs são azuis;
2. A frase 1 é falsa;
3. A frase 2 é verdadeira,
A frase 3 é escrita numa linguagem de nível superior à metalinguagem da frase 2.
O que este conceito de metalinguagem faz é “proibir” que as frases sobre a realidade se refiram ao (seu) valor de verdade.
Alexandre Marques
sexta-feira, 23 de novembro de 2007
quarta-feira, 21 de novembro de 2007
Dia Mundial da Filosofia
1) Esta frase é falsa.
2) Epiménides, o cretense, disse: “Todos os cretenses são mentirosos.” Este testemunho é verdadeiro.
3) O filósofo inglês George Edward Moore (1873-1958) mentiu apenas uma vez na vida, segundo Bertrand Russell; quando lhe perguntaram se dizia sempre a verdade, respondeu: “Não.”
4) Estou a mentir.
5) Um jacaré tirou o bebé à mãe, mas prontificou-se a devolver-lho se ela respondesse correctamente à pergunta: “Vou comer o teu bebé?” Após reflexão, a mãe deu uma resposta tal que o jacaré, para ser coerente, se viu constrangido a devolver o bebé.
(A resposta foi sim.)
6) A afirmação seguinte é falsa. A afirmação anterior é verdadeira.
7) O acusado ouviu a seguinte sentença: “O réu é condenado à morte. Vai agora fazer a sua última afirmação a este tribunal. Se disser uma verdade, terá uma morte rápida e piedosa; se disser uma falsidade, será longamente torturado e só depois morrerá.” A resposta foi tal que os juízes, em coerência com a sua decisão, se viram constrangidos a libertá-lo.
(A resposta foi: “Vou ser torturado e só depois morrerei.”)
8) Não leias isto.
9) Regras para bem escrever um texto filosófico:
1. Não utilize nunca a dupla negação.
2. Nunca use vírgulas, que não sejam necessárias.
3. O verbo têm de concordar com o sujeito.
4. Em relação a deixar frases incompletas.
5. Depois de escrever, leia sempre o que escreveu a ver se não se de nada.
6. Não dê erros ortugráficos.
10) Uma ilha onde vigora uma lei curiosa: um visitante deve dizer sob juramento por que lá vai: se responder a verdade, tudo bem; se não, será enforcado. Um dia, um visitante respondeu: “Vim cá para ser enforcado.”
— Como decidiu o governador da ilha, Sancho Pança (Dom Quixote, II, cap. LI)?
(Qualquer decisão violará a lei; por isso, decidiu ser misericordioso e libertar o homem.)
11) “Faço a barba a todos os homens da cidade que não se barbeiam a si próprios, e só a esses.”
— Quem barbeia o barbeiro (imaginado por Bertrand Russell) que tem esta placa na sua loja?
12) Esta afirmação pertence ao conjunto que contém todas as afirmações falsas.
13) A sua próxima resposta será não? Responda sim ou não.
14) 1. Deus não existe.
2. O Diabo não existe.
3. Pelo menos uma frase neste rectângulo é falsa.
Deus ou o Diabo: de acordo com este conjunto de frases, algum deles existe? (Raymond Smullyan, in What Is the Name of This Book?)
15) A frase escrita no verso desta folha é falsa. (OU: A frase seguinte é falsa.)
A frase escrita no verso desta folha é verdadeira. (OU: A frase anterior é verdadeira.)
16) Platão: “A próxima afirmação de Sócrates será falsa.”
Sócrates: “Platão disse a verdade.”
17) Esta frase não tem seis palavras.
Esta frase tem seis palavras.
18) Ser livre de controlo é ser controlado por si mesmo; logo, o homem nunca pode estar livre de controlo.
19) É decretado que o prisioneiro será enforcado num dia entre segunda-feira e sexta-feira; é decretado também que o enforcamento ocorrerá num dia inesperado, ou seja, só será descoberto o dia do enforcamento no próprio dia. Ele raciocina assim:” Não posso ser enforcado na sexta-feira, porque, se ainda estivesse vivo na quinta-feira, saberia que o enforcamento seria no dia seguinte, sexta-feira. Também não posso ser enforcado na quinta-feira, pela mesma razão; nem, na verdade, em qualquer dos outros dias. Logo, não vou ser enforcado”.
(Problema: e se o carrasco chegar inesperadamente na quarta-feira para o enforcar, surpreendendo o prisioneiro?)
20) A palavra “heterológica”, que quer dizer “não aplicável a si mesmo”, é ela mesma heterológica?
21) Deus, que pode fazer tudo, pode criar uma pedra tão pesada que não a consiga levantar?
(Se não pode criar tal pedra, então não é omnipotente. Se pode criar tal pedra, então também não é omnipotente, já que não poderia levantá-la.)
22) Foram aprovadas as seguintes resoluções:
1. É aprovada a construção de uma nova prisão.
2. É aprovado que a nova prisão será construída com os materiais da velha.
3. É ainda aprovado que a antiga prisão se manterá em funcionamento até que a nova esteja construída.
Problema: ela foi ou não construída?
23) Se a verdade não existe, a declaração “A verdade não existe” é uma verdade, provando-se, portanto, incorrecta.
24) Um homem viaja no tempo e engravida a sua própria tetravó. O resultado é uma linha de descendentes que inclui o próprio homem e os seus pais. Portanto, a menos que ele faça a viajem temporal, ele nunca existirá.
25) Dentre todos os livros de uma biblioteca dois são catálogos com as seguintes propriedades:
1: o primeiro cataloga todos (e apenas) aqueles livros que fazem referência a si próprios;
2: o segundo cataloga todos (e apenas) aqueles livros que não fazem auto-referência.
Em qual dos catálogos os próprios catálogos devem se incluídos?
26) Numa caravana viajam, pelo deserto do Sahara, três personagens: A, B e C. Tanto A como B decidem, cada um por si, matar C. Durante a noite, A põe veneno no cantil de água de C, enquanto B opta por perfurar o cantil de C.
Uns dias depois, C morreu de sede.
Problema: quem foi o assassino, A ou B?
27) Numa ilha remota, vivem dois tipos de habitantes: os cavaleiros, que dizem sempre a verdade, e os matreiros, que mentem sempre.
Três destes habitantes são A, B e C; cada um deles é ou ‘cavaleiro’ ou ‘matreiro’. A e B fazem as seguintes afirmações:
A: Nós os três somos matreiros.
B: Apenas um de nós é cavaleiro.
O que são A, B e C?
(A é um ‘matreiro’: se o que diz fosse verdade, ele teria que ser ‘cavaleiro’ e, nesse caso, contraditoriamente, não poderiam ser todos ‘matreiros’; B é um ‘cavaleiro’: se fosse ‘matreiro’, só C é que poderia ser ‘cavaleiro’ e a frase de B teria que ser verdadeira, o que só pode acontecer quando proferida por um ‘cavaleiro’; C é um ‘matreiro’: como B é ‘cavaleiro’, a sua frase é verdadeira e, portanto, C não pode ser também ‘cavaleiro’, visto que só há um.) (Raymond Smullyan, in What Is the Name of This Book?)

